2 de abril de 2008

Crosta terrestre: espaço em movimento

Sismos não são as únicas manifestações da crosta terrestre
Márcio Masatoshi Kondo*
Especial para a Folha de S.Paulo

Imóvel, imutável. É assim que muitos imaginam a crosta terrestre. Nada está mais longe da verdade do que a idéia de uma crosta estável, pois a superfície da Terra está em constante atividade e as erupções vulcânicas e os sismos não são suas únicas manifestações.

Estudando o planeta, descobrimos que, comparando a Terra a um ovo, sua crosta está mais para aquela frágil membrana que se encontra entre a casca e a clara do que para a sua casca. Tal qual uma caixa craniana, a crosta terrestre é formada por um conjunto de placas unidas (não é, portanto, uma estrutura uniforme). Essas placas são de dois tipos, continental e oceânica, sendo esta última bastante delgada.

A intensa atividade do manto (magma) é capaz de romper e deslocar as placas da crosta a uma velocidade de 1 cm ao ano, lenta demais para a nossa percepção, tanto que, os atuais continentes começaram a ser definidos nos últimos 200 milhões de anos a partir da fragmentação de uma massa continental (pangéia). Como as placas oceânicas, que foram criadas nas áreas de separação continental, estão em expansão contínua, os continentes se afastam e "atropelam" as placas oceânicas mais antigas, numa constante renovação dos assoalhos oceânicos.

Sabendo que o oceano Atlântico se expande a partir da Dorsal Mesoatlântica (margem construtiva), as regiões banhadas por ele possuem atividade sísmica e vulcânica baixa. Por isso o Brasil está relativamente livre dessas manifestações.

Por outro lado, o oceano Pacífico tem suas margens pressionadas pelo oeste da América e pelo leste da Ásia, definindo uma faixa, o Cinturão de Fogo Circumpacífico (margem destrutiva), com fossas submarinas, ilhas vulcânicas e intensa atividade tectônica (sismos e vulcanismo).

Nos pontos em que as placas continentais colidem, suas rochas são comprimidas, dobradas e acabam formando montanhas. As mais altas possuem idade inferior a 65 milhões de anos e resultam da colisão entre as placas continental e oceânica (cordilheira dos Andes e Montanhas Rochosas) e da colisão entre placas continentais (Himalaia, Alpes, Atlas e Cárpatos).

*Márcio Masatoshi Kondo é professor da Cia. de Ética, do Objetivo, Icec-Universitário, do Colégio Móbile e do CLQ-Objetivo

Disponível em: http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/ult2762u18.jhtm

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